"Li esses dias uma daquelas filósofas do GNT dizendo na Internet que é papel do intelectual denunciar a sede de luxo.
Eu também acho que é papel do intelectual denunciar a sede de luxo.
Contanto que o papel fique só para ele.
Intelectuais sempre vêm com esse papo de que a gente não deve ter mais do que precisa.
Mas o que é "precisar" mesmo?
É uma idéia bem simplória, bem pouco "intelectual", essa de que as coisas só têm uma função: um sapato é para pisar, um chapéu para proteger do Sol, portanto a gente só precisa de um de cada.
Qualquer perua - ah, essas estetas involuntárias! - sabe que sapatos e brincos e chapéus também falam a linguagem muda das coisas e que um tom de marrom na bolsa pode arruinar um conjunto.
Por isso, quando perguntam se a primeira-dama das Filipinas precisava mesmo de 500 pares de sapato, acho que devemos levar em consideração sua alma de artista ou de perua.
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...Rodrigo de Lemos - Chá das cinco...
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